AÇÃO
PARLAMENTAR
DESATIVAÇÃO
DO CAMPO DE INSTRUÇÃO DO GERICINÓ
BAIXADA FLUMINENSE – RJ – I
Sessão de 29-08-85
O
SR SIMÃO SESSIM (PFL – RJ. Pronuncia o seguinte discurso)
Sr Presidente, Srs Deputados, na audiência que me concedeu,
ontem, o Presidente José Sarney prometeu examinar junto
ao Ministro Bayma Denis, Chefe da Casa Militar, e ao Ministro
do Exército Leônidas Pires Gonçalves a possibilidade
da desativação do Campo de Instrução
do Gericinó, e, consequentemente, a sua anexação
total ou parcial ao Município de Nilópolis.
Localizada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Nilópolis
compõe, com os Municípios de Nova Iguaçu,
São João de Meriti e Duque de Caxias, a área
denominada Baixada Fluminense.
Nilópolis encontra-se impossibilitada de adequar o seu
desenvolvimento urbano e melhorar a qualidade de vida de sua população,
por absoluta falta de espaços livres para ocupação.
Dos 22 km2 do seu território, 13 km2 são ocupados
pelo Campo de Instrução do Gericinó, pertencente
ao Ministério do Exército, que o utiliza para treinamento
de tropas sediadas na Vila Militar do Rio de Janeiro. Levando-se
em conta a sua população de 170.000 habitantes e
considerando a área efetivamente utilizada pelo município
– de apenas 9 km2 -, sua densidade demográfica chega
aos 18.000 habitantes/km2, certamente a maior do país.
Uma das características do uso do solo nilopolitano é
a predominância de residências uni familiares, não
havendo terreno disponível para novas habitações,
escolas, hospitais, áreas de lazer, estabelecimentos comerciais
e industriais, restando, para o desenvolvimento do município,
o inconveniente caminho da renovação urbana pela
verticalização.
O setor industrial é inexpressivo para a economia local,
notando-se que 80% de suas unidades possuem menos de 10 empregados,
com predominância de fábricas “fundo de quintal”.
No que tange à recreação e ao lazer, verifica-se
expressiva carência de áreas equipadas, restritas
que estão a poucas praças e a um pequeno parque,
cujo resultado é uma relação de 0,25m2 por
habitante, indicador esse bem distante do atribuído ao
Rio de Janeiro, que é de 1,45m2/hab.
O estudo a que procedemos, da situação do Campo
do Gericinó, frente a Nilópolis e à região
metropolitana do Rio de Janeiro, leva-nos a reivindicar a integração
de seus 13 km2 no espaço urbanizável do município.
Essa medida possibilitaria o reordenamento e a reorientação
do seu desenvolvimento.
Entre as conseqüências positivas que o atendimento
do pleito que ora fazemos traria ao município e à
Baixada Fluminense, podemos enumerar:
· Criação de grande área de recreação
e lazer, utilizável por toda população da
região, que hoje se depara com toda gama de dificuldades
de acesso a essas salutares atividades.
· Implantação de um projeto integrado industrial/residencial,
uma vez que a área do Campo de Instrução
do Gericinó possui todas as condições ideais
para tanto, tais como abundante mão-de-obra, energia, água
e acesso favorecido através dos sistemas de transportes
rodo ferroviários; e
· Melhoria do conjunto viário regional, possibilitando
a integração da BR-116 com a rodovia Rio - SP, com
a Via Brasil por uma via secundária ao longo do canal de
Sarapuí, o que também teria o mérito de impedir
o uso predatório das margens do canal.
Aspecto importante a ressaltar, Sr Presidente, é o fato
de que a medida pleiteada não implica a remoção
de instalações militares de porte ou a segurança
nacional. Haja vista que o uso militar da área se encontra
restrito, principalmente a partir da entrada em operação
da nova pista do Aeroporto Internacional do Galeão. O cone
de aproximação das aeronaves passa sobre a área
do Gericinó, condicionando o uso do campo de instrução.
Por todos esses fatos é que, dentro do espírito
da Nova República, voltamos a solicitar aquilo que foi
negado pelo Governo anterior: a anexação da área
de 13 km2 do Campo do Gericinó ao espaço urbanizável
do Município de Nilópolis, providência que
permitirá reorientar e reconfigurar o desenvolvimento urbano
de toda a sub-região metropolitana, que compreende a sofrida
Baixada Fluminense.
Salientamos ao Presidente Sarney que, para sustentar essa indeclinável
reivindicação, está sendo criada em Nilópolis
uma Comissão Popular, constituída de representantes
de associação de moradores, comunidades de base,
clubes de serviço, associação comercial e
industrial, entidades educacionais e culturais, sindicato do comércio,
lojas maçônicas, igrejas e políticos de todos
os partidos, prefeito, vereadores e deputados com domicílio
no município. É o povo nilopolitano unido no desejo
de conquistar, depois de 38 anos de emancipação
político-administrativa, a sua emancipação
territorial.
Vale lembrar, nessa oportunidade, que, entre as orientações
básicas que norteiam as mudanças anunciadas pela
Nova República, encontram-se as de conciliar o progresso
econômico com o objetivo de elevar a qualidade de vida dos
habitantes e de aumentar o bem-estar das populações,
sobretudo dos estratos mais carentes.
Sr Presidente, Srs Deputados, como representante do Município
de Nilópolis no Congresso Nacional, como ex-Prefeito e,
principalmente, como nilopolitano de nascimento, apelamos para
a sensibilidade e o alto espírito público do Presidente
Sarney, esperando que determine estudos, visando a uma reforma
urbana nas áreas de grande explosão demográfica,
iniciando pela desativação e conseqüente anexação
do Campo de Instrução do Gericinó ao Município
de Nilópolis, na Baixada Fluminense.
DESATIVAÇÃO DO CAMPO DE INSTRUÇÃO
DO GERICINÓ
BAIXADA FLUMINENSE – RJ – II
Sessão
de 19-11-85
O
SR SIMÃO SESSIM (PFL – RJ. Pronuncia o seguinte discurso)
Sr Presidente, Srs Deputados, uma vez mais volto a esta tribuna
trazendo um assunto de significativa importância para a
região que represento. Trata-se da desativação
do Campo de Instrução do Gericinó, no Rio
de Janeiro, e a sua conseqüente anexação ao
Município de Nilópolis – RJ.
Recentemente, as localidades vizinhas ao Campo de Instrução
do Gericinó viveram momentos de pânico, após
a ocorrência de mais um trágico acidente, quando
quatro obuses do Exército disparados durante um treinamento
militar caíram em plena zona residencial de Realengo.
Atingindo sete casas e uma fábrica de papel, o bombardeio
provocou inúmeras vítimas, crianças e adultos,
entre os quais uma senhora que teve os dois braços amputados.
Em nota oficial divulgada pela imprensa, o Comando do I Exército
prestou as declarações de rotina, prontificando-se
à apuração das causas e responsabilidades
pelo acidente, não se furtando às futuras providências
indenizatórias que se farão exigir.
Ocorre, entretanto, Sr Presidente, que a exemplo de episódios
anteriores, alguns envolvendo conseqüências de maior
gravidade, pouco importa conhecer os fatos que vieram a determinar
a eventual falha estratégica, imprudência ou despreparo
técnico. Reitero o que venho afirmando em diversas oportunidades:
“Deve-se atentar, isto sim, para o fato de que a existência
de um campo de operações militares bastante próximo
às áreas residenciais implica probabilidade de acidentes
como o acontecido, mesmo que haja o maior cuidado por parte dos
militares em exercício”.
Em audiência com o Exmº Sr Presidente da República
José Sarney, em 28 de agosto último, tive a oportunidade
de levar-lhe ao conhecimento a exata dimensão da matéria,
que envolve não só o permanente risco da localização
do Campo de Instrução do Gericinó na área
geográfica do Município de Nilópolis, como
também expus a Sua Excelência a impossibilidade de
o município em que se encontra enfrentar o desafio do seu
desenvolvimento urbano e elevar a qualidade de vida de sua população
por absoluta falta de espaços livres para expansão
e ocupação.
Considerando que Nilópolis possivelmente lidera o índice
nacional de densidade demográfica, com 18.700 habitantes/km2,
constitui-se de extrema gravidade o manifesto quadro da acentuada
concentração populacional que fortemente contigencia
a administração e sacrifica todos os segmentos sociais
e econômicos da vida do nilopolitano, com profundos reflexos
para as gerações que ora se formam, particularmente,
nas regiões mais carentes.
Dos 22 km2 da área efetiva do município, 13 km2
são ocupados pelo Campo de Instrução pertencente
ao Ministério do Exército, que o utiliza para treinamento
de tropas sediadas na Vila Militar, no Rio de Janeiro.
Ponderei junto a S Exª. o Senhor Presidente José Sarney,
a possibilidade da transferência do campo de treinamento
para local mais apropriado, com a conseqüente incorporação
dos 13 km2 do Gericinó ao espaço urbanizável
do município, o que viria a promover não somente
a definitiva tranqüilidade, tão ansiada pelas famílias
locais, como ainda viria a permitir a reorientação
do desenvolvimento, para o que toda a comunidade espera contribuir.
Cabe-me ressaltar, dentre os mais importantes itens, que a desativação
da referida área virá permitir a implantação
de projeto integrado industrial/residencial; a criação
de grande área de recreação e lazer e a melhoria
do conjunto viário regional, possibilitando a integração
da BR-116-Rodovia RJ/SP - com a Av Brasil, por via secundária
ao longo do canal de Sarapuí, o que também teria
o mérito de impedir o uso predatório das margens
do canal.
Renovo esperanças no sentido de que a sensibilidade governamental
promova, com urgência que o assunto reclama, as providências
que se fazem flagrantemente inadiáveis.
Que não mais se permita ao Município de Nilópolis
viver indefinidamente no clima de inquietude e insegurança
que assalta a população vizinha ao Campo do Gericinó.
Que lhe seja permitida, dentro do espírito da Nova República,
a anexação do solo,que representará a emancipação
territorial e o rumo para o progresso.
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