ELOS DE AXÉ – NATUREZA VIVA
COPA – 21
Coordenação, Orientação e Proteção Ambiental
Século 21

Amigos

Em anexo o texto Reconhecendo e Vivenciando o Sagrado na Natureza, produto da Campanha Elos de Axé, submetido à publicação na Revista ISER - 15 anos.
Na qualidade de parceiros solicito que as alterações, omissões sejam encaminhadas ao e-mail luzgraca@uol. com.br ou graca@iser.org. br
Saudações Fraternais
Graças (MIR)

Reconhecendo e Vivenciando o Sagrado na Natureza: A experiência do Movimento Inter-Religioso do Rio de Janeiro
Maria das Graças de Oliveira Nascimento Movimento Inter-Religoso do Rio de Janeiro MIR
Rio de Janeiro, 9 de outubro de 2007
Sumário
1. Apresentação
2. A Experiência do MIR no Projeto Espaço Sagrado da Curva do S, Parque Nacional da Tijuca: Projeto Meio Ambiente e Religião.

2.1. A linha do Tempo do Projeto Meio Ambiente e Religião
· Primeiro Momento – 1997
· Segundo Momento – 2004, Realização do II Seminário Meio Ambiente e Espaços Sagrados
· Terceiro Momento – 2005, Revisão do Plano de Manejo e Oficina de Práticas Religiosas
· Quarto Momento – 2006
· I Seminário de Educação, Cultura e Justiça Ambiental – Junho
· Lançamento da Campanha Elos de Axé – Natureza Viva
· Definindo os primeiros passos para a realização do Encontro de Zeladores de Casas de Santo e Terreiros
· Em construção a Campanha Elos de Axé – Natureza Viva
· O MIR no Conselho Consultivo do PNT
3. A Campanha Elos de Axé – Natureza Viva: Definindo os parâmetros para uma
Política Pública do Estado do Rio de Janeiro

3.1. Recomendações da Campanha Elos de Axé – Natureza Viva
4. A Produção do Conhecimento
Bibliografia
Reconhecimento.
Várias pessoas contribuem com seus saberes científicos, tradicionais, profissionais, no desenvolvimento das atividades relatadas neste documento.
Juntos estamos saboreando a construção de um processo de reconhecimento do Sagrado na Natureza, apresentado neste documento que reflete apenas o olhar de um dos seus agentes.
É tempo de agradecer àqueles (as) que ao atravessar muitos momentos de tensão no papel de principais guardiões do fogo alimentam a chama acessa do respeitar, conservar, preservar e proteger todos os reinos da Natureza, gerando conhecimento e informação para as comunidades
das tradições de matriz da natureza, acadêmicas, religiosas entre outras.
Evidentemente não lhes cabe a responsabilidade do escrito, mas é certo que sem eles(as) não seria possível este relato.
Agentes no Processo
· Aderbal Moreira da Costa, Ashogum (Cia Cultural Omo Aro)
· Ana Cristina P. Vieira, Coordenadora de Cultura (PNT/IBAMA)
· Denise Alves e Marcelo Antônio Marques Prazeres, NEA (IBAMA-PNT)
· Lara Moutinho da Costa (Associação Ambientalista Defensores da Terra)
· Maria das Graças de Oliveira Nascimento e André Porto (MIR)
· Mãe Beata (Ilé Omi Oju Aro)
· Pedro Miranda (UEUB)
· Flávia Pinto (Centro Espírita Casa do Perdão)

Parceiros Institucionais
· Movimento Inter-Religioso do Rio de Janeiro – MIR
· Instituto de Estudos da Religião – ISER
· Parque Nacional da Tijuca – PNT/BAMA
· ONG Defensores da Terra
· Centro Espírita Casa do Perdão
· União Espiritista de Umbanda no Brasil – UEUB
· Conselho Nacional de Umbanda no Brasil - CONUB
·
“ Dê tempo ao tempo
Porque tudo tem o seu tempo
E o tempo está chegando “
Assim fala o Preto Velho
1. Apresentação
Em junho de 1992, durante a ECO 92, o ISER – Instituto de Estudos da Religião organizou uma vigília inter-religiosa pela Terra no Aterro do Flamengo. Ali se realizava o Fórum Global com a participação de mais de mil ONGs. No total, vinte e cinco religiões e grupos espirituais e cerca de trinta mil pessoas participaram do evento. Personalidades como o Dalai Lama, Dom Helder Câmara e Dom Luciano Mendes estiveram presentes.
Naquela ocasião nascia o Movimento Inter-Religioso do Rio de Janeiro – MIR.
Após o evento, as tradições envolvidas solicitaram ao ISER a continuidade do processo desencadeado após a Vigília, tendo como um dos eixos de trabalho as questões que envolvem o relacionamento homem/religião/natureza, destacando-se a participação no Projeto Espaço Sagrado da Curva do S, no Parque Nacional da Tijuca (PNT), desde 1997.
Como principais produtos gerados no âmbito do Projeto identifica-se a Campanha Elos de Axé – Natureza Viva, o assento do MIR no Conselho Consultivo do PNT e, mais recentemente, o apoio da Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro à Campanha, através da definição de pontos de contorno para a definição de uma política pública voltada para o uso público religioso no âmbito do Estado.
Procura-se mostrar através do relato desta experiência a linha do tempo, na qual é apontado os avanços e reconhecendo cada etapa da caminhada como parte da construção de um processo de reconhecimento e vivência do Sagrado na Natureza.
Em todos os momentos o Movimento Inter-Religioso- MIR procurou atuar como um agente voltado para a mediação de conflitos de interesse tanto dos ambientalistas da linha conservacionista, como dos diferentes segmentos religiosos envolvidos na questão, buscando estratégias e ações com vista ao direito de uso público religioso de parques nacionais, estaduais e municipais, em especial para as tradições de matriz afro-descendente, garantidos pela Constituição Brasileira.
Junto ao Povo do Santo buscou-se identificar os contornos de um programa de Educação Ambiental baseada nos saberes tradicionais das comunidades de Casas de Santo e Terreiros de Umbanda e Candomblé, mostrando a necessidade de avaliação das práticas religiosas de modo a torná-las ecologicamente corretas.
Adotou-se a metodologia da Pesquisa-Ação de Thiollent que permite a incorporação dos resultados decorrente da participação de agentes envolvidos no processo, bem como o desenvolvimento de ações de intervenção no processo, redefinindo rumos porque reconhecidas como fundamentais à melhoria do processo de construção. È também muito rica a produção de conhecimento sobre o assunto, assentadas em inúmeros documentos, registrados ao final do documento.
2 A Experiência do MIR no Projeto Espaço Sagrado da Curva do S, Parque Nacional da Tijuca: Projeto Meio Ambiente e Religião
2.1 - A linha do Tempo do Projeto Meio Ambiente e Religião
· Primeiro Momento – 1997
Estabelecendo as bases para o conhecimento, realiza-se em setembro de 1997 o I Seminário Meio Ambiente Espaços Sagrados com a participação de representantes de vários cultos, órgãos públicos, pesquisadores e ONGs, evento coordenado pela a equipe do PNT, ISER(Instituto Superior de Estudos da Religião) e o Museu de Belas Artes, surgindo como principal meta “criação de um espaço sagrado, fora dos limites do parque, com os requisitos necessários à realização dos cultos, limpeza, segurança e manutenção do local, o qual deverá ser administrado em regime de co-gestão IBAMA - Prefeitura - entidades religiosas”.
· Segundo Momento – 2004, Realização do II Seminário Meio Ambiente e Espaços Sagrados
Assim para que seja operacionalizado o Espaço Sagrado a plenária do II Seminário encaminha proposta de criação de um Comitê Gestor constituído por técnicos do PNT e sociedade civil organizadas entendidas como membros representativos dos diversos segmentos religiosos, associações de bairros, organizações ambientalistas entre outros que realizariam de forma integrada o gerenciamento do Espaço Sagrado.
Na prática este Comitê passa a ser A Comissão Interdisciplinar Gestora do Projeto Espaço, integrada pelas seguintes instituições: Congregação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB), Federação de Umbanda e Nações Africanas (FUNA), Centro Espiritualista Semeadores da Luz, Defensores da Terra, Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro- Comissão de Defesa do Meio Ambiente, Wicca, Movimento Inter-Religioso do Rio de Janeiro - MIR, Núcleo Espiritualista Guerreiros da Fé, Instituto Matlan de Pesquisa e Educação Ambiental, Parque Nacional da Tijuca, Templo a Caminho da Paz, Ilê Axé de Ogum e União Espiritista de Umbanda do Brasil (UEUB).
Da plenária emerge também o documento Carta de Intenções, onde reitera a necessidade de minimizar os conflitos existentes entre a liberdade de expressão religiosa e a preservação dos recursos naturais das unidades de conservação (SNUC 2000) e de também atender as necessidades de diferentes tradições espiritualista têm de utilização de sítios naturais para a prática de seus cultos, indicam a implantação do Espaço Sagrado, o desenvolvimento de ações e materiais didáticos e interpretativos para os diferentes segmentos envolvidos; desenvolvimento de metodologia transdisciplinar e inovadora associando educação, cultura, pesquisa, proteção e manejo de áreas florestadas que também sirvam de modelo para a resolução de conflitos socioambientais em outras áreas protegidas; elaboração de termo de referência para implantação, gestão e administração do espaço sagrado.
Destacava também que a viabilização da proposta só seria possível mediante a necessária aprovação e cessão de uso da área em foco pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.
É neste momento que o Movimento Inter-Religioso passa a atuar de forma mais concreta.
· Terceiro Momento – 2005 – Revisão do Plano de Manejo e Oficina de Práticas Religiosas
O conjunto de ações levadas a efeito pelo Comitê gestor a partir de 2004, com a realização de suas reuniões, muitas delas utilizando administração de conflitos, foi dando estatura ao movimento de implantação da concepção de espaço sagrado.
Assim com a revisão do plano de manejo do PNT, grupos religiosos são chamados a participar das reuniões e oficinas, e pela primeira vez, os diversos segmentos envolvidos nos conflitos de interesses são colocados lado a lado.
Passamos a nos conhecer, um grande passo para compreender os motivos por trás de cada interesse, resultando na identificação de cinco eixos estratégicos para a consolidação de uma proposta mínima de trabalho conjunto.
Os eixos estratégicos ampliaram e estruturam todo um projeto de trabalho que incorpora as dimensões de:
· regulamentação das práticas religiosas no Parque e entorno, e, nesta um grande avanço que é a valorização do patrimônio imaterial do Parque Nacional da Tijuca
· Definição de Espaços e Infra-estrutura para as práticas religiosas. Não só no entorno como no interior do Parque, bem como a implantação de capela ecumência, que embora não tenha sido consenso e até provoca conflito de interesses entre ambientalistas e religiosos.
· Educação Ambiental orientada aos praticantes, aonde é proposta a gestão participativa na construção dos materiais de educação ambiental; a realização de pesquisas quantitativas e qualitativas sobre o uso religioso da área; considerar os religiosos como agentes multiplicadores; procurar a autosustentação do projeto e estabelecer um calendário inter-religioso de celebrações.
· Controle e Fiscalização das práticas religiosas no Parque e entorno, aonde é proposto dotar os principais locais de placas informativas sobre a legislação existentes e normas de uso, bem como incluir elementos de práticas religiosas e culturais na formação dos agentes de fiscalização e controle;
· Monitoria e Avaliação das práticas religiosas e impactos, quando pela primeira vez é explicitada a necessidade de criar quatro frentes de pesquisa, objetivando quantificar, definir e determinar os diferentes tipos de impactos gerados pelas práticas religiosas, com vista a subsidiar o Plano de Manejo com estas informações.
· Quarto Momento – 2006
I Seminário de Educação, Cultura e Justiça Ambiental – Junho
O Seminário ao tratar educação, cultura e justiça ambiental dá um salto qualitativo em relação aos anteriores, porque amplia a discussão para além dos murros do Parque Nacional da Tijuca e mostra um outro foco: a da injustiça ambiental que vem sendo praticada aos devotos do cultos afro-brasileiros, descendentes de escravos, que sucederam os índios, e reflorestaram a floresta da Tijuca.
Na oficina realizada em meados de 2005 foi elaborado um analise preliminar da situação das práticas religiosas no Parque Nacional da Tijuca, contendo as colunas: grupo religioso, práticas religiosas, número de praticantes e freqüência de uso, local:Parque e zona de amortecimento, materiais e equipamentos utilizados, resíduos deixados no parque, possíveis impacto, demandas do Parque e do grupo e o manejo da situação do Parque e do Grupo.
De todos os grupos identificados é o afro-brasileiro que:
· mais locais utiliza (Curva do S, Águas Férreas, Jardim Botânico, Furnas, Quebra, Vista Chinesa, Rio Carioca, e outros localizados no entorno)
· mais utiliza materiais e equipamentos (comidas e bebidas, vasilhas e velas, atabaques, adjá, e agogô)
· deixa maior número de resíduos (alimentos, garrafas, velas, louças, alguidares, animais e aves utilizados nas oferendas)
· gera mais possíveis impactos (lixo, fogo, poluição hídrica, alimentação de fauna, soltura de animais, impacto visual, mau cheiro, foco de vetores para comunidades de entorno).
Em contrapartida as demandas deste grupo são o respeito, regras negociadas e aplicadas, coleta, trabalho educativo, e o manejo da situação é delineada pela elaboração de materiais educativos, coleta, interação com técnicos e trabalho educativo.
O cruzamento destas informações mostra que para todas as situações que geram conflitos a solução vem naturalmente: educação ambiental. Como se trata de um segmento de baixa renda, o Estado deve estabelecer instrumentos como cartilha que aumente o nível de informação desse segmento.
Todos os indicadores mostram ser possível compatibilizar o direito às práticas religiosas com o respeito á Natureza, e os grupos religiosos estão prontos a colaborar neste projeto, na medida em que o Parque Nacional da Tijuca seja entendido como um altar sagrado.
O Seminário trouxe dois grandes avanços na medida em que a plenária discute e avaliza os resultados da Oficina de Prática Religiosas de 2005, encaminhando- as à Instituto Brasileiro de Meio Ambiente – IBAMA através da Direção do PNT, e promove o lançamento da Campanha Elos de Axé – Natureza Viva.
Lançamento da Campanha Elos de Axé – Natureza Viva
No I Seminário de Educação, Cultura e Justiça Ambiental nasce A Campanha Elos de Axé – Natureza Viva. O primeiro passo é mobilizar os zeladores das Casas e Terreiros de Candomblé. Para isso a Plenária delibera pelo estabelecimento de estratégias de mobilização de zeladores de Casas de Santo e Terreiros com vistas a informar sobre a realização do próprio Seminário e partir para a construção de um programa de Educação Ambiental voltado para grupos religiosos, em especial os de Umbanda e Candomblé.
A proposta aprovada, produto resultante do grupo de trabalho coordenados por Mãe Beata e Dr. Pedro Miranda, identificou as seguintes ações:
· Estimular o reaproveitamento de garrafas, alguidares e outros utensílios bem como orientar sobre os cuidados necessários no uso de velas nas oferendas e obrigações entregues nas matas, florestas;
· Divulgar cartilhas voltadas para o “povo do Santo”;
· Lembrar a responsabilidade dos Zeladores (Sacerdotes) na orientação aos “clientes” das casas e terreiros;
· Realizar trabalho de conscientização da questão ambiental junto ao comércio de artigos religiosos;
· Lembrar a responsabilidade do “Povo do Santo”;
· Incentivar os zeladores das casas e terreiros a incluir o respeito à natureza na dimensão educadora de iniciados;
· Produzir material educativo e disponibilizar os que já existem;
· Trabalhar junto à mídia especifica das tradições de matriz afro-brasileira a divulgação de informações educativas em relação ao respeito, proteção e preservação da Natureza.
· Estabelecer parceria com o Núcleo de Educação Ambiental do Parque Nacional da Tijuca (NEA/PNT), no sentido de que este assuma a coordenação técnica do projeto de Educação Ambiental para Zeladores de Casas de Santo e Terreiros.
Identificou-se também que a melhor forma de trabalho para efetivar estas ações seria a formação de uma rede de instituições com o objetivo de tratar estas questões.
Reconhecendo-se as dificuldades de reunir o povo do santo em geral moradores de áreas distantes e da periferia da cidade, a solução foi a de realizar encontros de forma itinerantes em locais próximos às Casas de Santo e Terreiros, ampliando assim o número de entidades participantes, em horário compatível com a disponibilidade dos zeladores.
Como primeiros pontos desta rede foram oferecidos os seguintes espaços: União Espiritista de Umbanda do Brasil (UEUB), Ilé Omi Oju Aro, Parque Nacional da Tijuca (PNT) e o Movimento Inter-Religioso do Rio de Janeiro (MIR)
Definindo os primeiros passos para a realização do Encontro de Zeladores de Casas de Santo e Terreiros.
“ Dê tempo ao tempo
Porque tudo tem o seu tempo
E o tempo está chegando “
Assim fala o Preto Velho
Com base nesta sabedoria dos pretos velhos, entidades que se manifestam na Umbanda, uma tradição nascida no Rio de Janeiro, fica claro que a gente não pode ficar esperando, temos que continuar o trabalho com muita firmeza.
Como a representação do segmento religioso de Umbanda e Candomblé no Seminário foi abaixo da expectativa e considerando a necessidade de informar a estes segmentos questões inerentes à legislação ambiental e em especial o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC sentiu-se a necessidade de formar um grupo focal formado por lideranças das Tradições de Umbanda e Candomblé.
Com este propósito logo após a realização do Seminário, trabalhou-se intensamente no sentido de mobilizar o maior número de lideranças, tarefa a cargo da Sacerdotisa Flávia Pinto, da Casa do Perdão, propondo-se a realização de uma primeira reunião no dia 16.07.2006, quarta-feira, no auditório da sede do Movimento Inter-Religioso, Rua do Russel 76, 3º andar.
A esta dimensão informativa considerou-se importante a realização deste Encontro como um primeiro passo na ação de construir um Programa de Educação Ambiental para Zeladores de Casas de Santo e Terreiros.
A reunião identificou os seguintes eixos de trabalho.
· Construção de políticas públicas que garantam as condições necessárias ao exercício do direito à realização de cultos e práticas religiosas, identificando- se as seguintes diretrizes:
· trabalhar a politização do povo do santo;
· Incentivar a legalização dos terreiros, mostrando os prós e os contras;
· Identificar ações afirmativas que garantam o respeito à cidadania religiosa.
· Aumentar o nível de informação dos grupos religiosos divulgando os direitos e deveres constitucionais, a legislação ambiental e do SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação, contribuindo assim para o aumento da consciência sobre a importância da preservação e cuidados com o meio ambiente.
· Conscientizar os Zeladores das Casas de Santo e Terreiro quanto a importância da sua atuação junto aos “clientes” de suas casas no sentido de respeitar e preservar o meio ambiente ao fazerem entrega de suas obrigações nas matas, nos rios, nas praias.
· Atuar junto às lojas de venda de produtos religiosos no sentido de que estas participem na divulgação de material de divulgação da área de Educação Ambiental.
Em construção a Campanha Elos de Axé – Natureza Viva
De junho de 2006 a agosto de 2007 foram realizadas 7 reuniões com zeladores de casas de santo e terreiros de Umbanda e Candomblé, cujas plenárias definiram os rumos e direcionamentos dado a Campanha e de acordo com a metodologia da pesquisa ação de Thiollent.
Reconhecendo a Casa de Santo/Terreiro de Umbanda e Candomblé como um espaço sagrado, lócus privilegiado de interação com o divino, a Campanha avança na medida em que há a adesão de zeladores e procurando intervir com ações aceitas e compromissadas com o respeito e o permitido pela hierarquia dos mais velhos, ouvindo a linguagem ancestral de cada AXE, procurando a integração.
Neste processo entende-se que o Programa de Educação Ambiental voltado para este segmento, em especial o da Umbanda, deve levar em consideração o hinário da Tradição que praticado constitui-se num roteiro de relacionamento harmonioso Divino Natureza, e que todo o conteúdo deverá emergir como decorrência natural da integração dos Axé de cada Casa/Terreiro, este de responsabilidade do Zelador do Santo, orientador espiritual do povo do Santo.
O primeiro passo nesta construção foi a Carta da Campanha Elos de Axé – Natureza Viva cujo texto é apresentado a seguir.
Lista-se também os primeiros parceiros(as) engajados nesta idéia de voltar a práticas que levem a harmonia do Homem com o Divino, reconhecendo e vivenciando o Sagrado na Natureza.
Campanha “Elos de Axé – Natureza Viva”.
QUEM É DE AXÉ AMA A NATUREZA
Desde que o mundo é mundo nossos ancestrais têm reverenciado e amado a natureza. Terra, rios, lagos sempre foram o cenário da nossa história e fundamentais para a nossa sobrevivência. Carne e espírito se alimentaram dessa energia continuamente através dos tempos.
Ao gen criativo do homem devemos a materialidade que cobre a Terra-Mãe.
Necessitamos de armazenar alimentos, cozinhá-los e transformá-los.
Sob a face da Terra foram surgindo objetos a serviço da humanidade. Os homens se multiplicaram e a natureza continua no mesmo lugar. Nela reside a nossa força mítica, abrigo dos Orixás, Inquices, guias e protetores.
AXÉ É NATUREZA.
O povo do Santo louva seus Orixás nos espaços sagrados do meio ambiente, pois sem água, folhas e raízes não se cultua Orixá.
Urge, portanto uma tomada de atitude:
Irmãos umbandistas, candonblecistas e de religiões que cultuam a natureza juntam-se ao movimento do mundo pela preservação do meio ambiente e, principalmente pela sobrevivência de suas práticas ancestrais dentro de um contexto de respeito e preservação do meio ambiente.
Os órgãos do poder público fazem o papel do Estado coibindo nossas ações religiosas por entendê-las como agente agressor da natureza.
Precisamos conhecer nossos direitos constitucionais e os deveres contidos na legislação ambiental.
É responsabilidade dos zeladores das Casas de Santo e Terreiros das religiões de matriz afro-brasileira instruir seus filhos e clientes a adotarem uma postura respeitosa com nossas florestas, rios, cachoeiras, mares e lagoas. Nossas cantigas falam disto.
Precisamos nos organizar para colocar em prática todos estes ensinamentos fazendo Cursos de Agentes Ambientais Para Casas de Santo e Terreiros das religiões de matriz afro-brasileira, elaborando cartilhas, vídeos, entre outros. Existem várias experiências de sucesso nesse sentido.
Podemos estabelecer um diálogo conciliador com entidades governamentais na medida em que tenhamos a oportunidade de mostrar com a nossa prática explicitamente o contrário: nada de vasilhames, cacos, velas queimando árvores, dejetos no caminho das nossas fontes energéticas.
Vamos exercer a prática da cidadania participativa, visto que a nossa religiosidade é estruturalmente comunitária.
O Orixá gosta da natureza para se manifestar com plenitude.
Quem ama o Orixá, ama a natureza.

Participe da Campanha “Elos de Axé – Natureza Viva”
Os primeiros parceiros(as) :
CAMPANHA ELOS DE AXÉ – NATUREZA VIVA
Realização e Parcerias já confirmadas: situação 23.08.2007
INSTITUIÇÃO NOME DO REPRESENTANTE
AOM Oswaldo Mutalê
Cabana do Mestre Omulú Nelson Arruda Filho
Cabana do Pai Miguel das Almas Luiz Antonio Cardoso Araújo
Cabana do Pai Tomás D’ Angola Mãe Eulina de Iansã
Candomblé Aderbal Moreira da Costa
Candomblé Clarisse Mantuano
Cantinho Baiano William Rodrigues
Casa D’Obaluaê “Umbanda das Almas” Carlos D’Xangô
Casa da Caridade Pai Benedito D’Angola Zilmar Duarte, Maura Paiva Maria da Conceição S. da Silva
Casa da Justiça Divina Mãe Abigail Kanabogy
Casa de Oxum Glória Maria dos Santos Correia
Casa Espírita A Caminho da Luz Pai Edem
Casa Espírita de Obaluaê Maria Georgina P de Almeida Machado Vera Maria Bezerra de Jesus
Centro Cultural Seixas Henrique Seixas
Centro da Montanha Xangô das Almas Manoel Rui Heraldo B. Tenório
Centro Espírita Casa do Perdão Flávia Pinto André Oliviera/Manuel Silva Joyce Barros/Aline Barbosa de Araújo
Centro Espírita Unidos pela Fé José Carlos d’ Oxossi
CEUF Cláudia S. dos Santos e Leila A.P.Souza
Círculo Ogun Hórus Rá Maria Cristina Marques
Clube dos Ogãns Alexandre D'Iemanjá
CONUB (Conselho Nacional de Umbanda do Brasil) Fernando de Souza Pinto Antônio Carlos Mendonça Viana Marizeli Marques
CRDR/SEJCON César Bastos
CS7m – Choupana do Sr. 7 Montanhas Fernando de Souza Pinto
Entidade Ambientalista Defensores da Terra/Reserva da Biosfera da Mata Atlântica – Rio de Janeiro Lara Moutinho da Costa
ICAPRA
Ilé Axé D’Ogum-Já Cantinho Espiritual Pai João das Almas Yango (Marcelo D’Obaluaê)
Ilé Axé D’Ogum e Yemanjá Sergio D’Ogum
Ilé de Oya Miriam da Oxum
Ilé Omi Oju Aro Mãe Beata de Yemanjá
INTERPAZ Katja Bastos e Graça Duarte
IRMAFRO Renato D’Obaluaê
ISER – Instituto de Estudos da Religião Samyra Crespo
Loja de Artigos de Umbanda/ Candomblé e Bazar Ashe d’Orissás
MIR Rio de Janeiro André Porto e Maria das Graças
Nº 20 Umpembe Kilongo Eduardo Legiberu
Núcleo de Educação Ambiental Parque Nacional da Tijuca – PNT Denise Alves Marcelo Antonio M. Prazeres Andréa R. Lopes
Centro de Visitantes - PNT Ana Cristina P. Vieira
OICD – RJ Antônio Carlos M. Vianna e Viviane Japiassú
Pref de Macaé – CORAFRO / FAFIMA – Macaé Sonia Maria Santos
Templo A Caminho da Paz Cantinho de Pai Cipriano Armando Fernandes
Templo D’ Xangô Aira Edém D’Xangô
Templo D’Oxosse Marcos de Oliveira e Altair Nascimento da Silva
Templo da Trybo Cósmica Encantaria Cigana do Povo do Oriente Katja Bastos
Templo Espiritualista D’Jagum Renato D’Obaluaê e Luiz Fernando da Silva
Templo do Vale do Sol e da Lua Ana Paula Falção
Templo Filhos de Oxalá Carlos Sampaio
Templo Oxossi Caçador Joelmir de Oxossi
T Pai Joaquim das Almas e Caboclo Guiné Roberto Silva
Tenda Espírita São Jorge Marizeli Marques
Tenda Espírita Vovô André da Bahia Willian de Obaluaê
T Verdade e Caridade Ogum Rompe Mato Roberto S. Silva
União Espiritista de Umbanda do Brasil Pedro Miranda
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, CASS/SMAS Denise Quitéria, Isabela Lobato, Ricardo C.B.Jorge, Marly de Andrade, Paulo Sérgio B.G. do N, Paulo Gentil Ruth
Ordem Teosófica de Serviço - OTS Regina Medina

O MIR no Conselho Consultivo do PNT

A outra linha de trabalho do MIR envolveu ações que levassem ao assento no Conselho Consultivo do Parque Nacional da Tijuca, tendo como principal motivação defender o direito ao uso público religioso no referido parque.
Longo caminho, com avanços e recuos, na medida em que envolve uma compreensão diferente dos ambientalistas de linha conservacionista, em posições técnicas e de gestão do Parque. Para estes os rituais/cerimônias relacionadas ás matrizes religiosas da Natureza, são altamente impactantes à Natureza e devem ser proibidas por não estarem prevista na Legislação Ambiental do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).
Em contrapartida a Constituição Federal no artigo 5º garante o direito de uso destas unidades por motivação religiosa.
È neste conflito de legislação que situações de confronto e desrespeito acontecem.
O papel do MIR tem sido, sempre que chamado, intermediar grupos de interesse conflitantes buscando através do diálogo mostrar que é possível compatibilizar os interesses de grupos ambientalistas e religiosos, na medida em que todos estão dispostos a trabalhar pela proteção, preservação e conservação da Natureza, pois
“O ORIXÁ GOSTA DA NATUREZA PARA SE MANIFESTAR COM PLENITUDE.
QUEM AMA O ORIXÁ, AMA A NATUREZA.”
Entre as competências legais do Conselho Consultivo destaca-se o “acompanhamento do elaboração, implementação e revisão do Plano de Manejo da unidade de conservação, quando couber, garantindo o seu caráter participativo”, onde estão definidas áreas e usos associados, normatizados e regulados num segundo momento.
O processo de recomposição e fortalecimento do Conselho Consultivo do PNT com vista à promoção da gestão participativa da unidade e de seus recursos hídricos, coordenado pelo IBASE, integrava uma das linha de ação do Projeto “Água em Unidade de Conservação”, patrocinado pela Petrobrás, cuja finalidade é a proteção e valoração dos recursos hídricos do Parque Nacional da Tijuca, assim como a conscientização quanto ao seu uso sustentável.
Para isso todos os Conselheiros participaram de oficinas de capacitação com os seguintes objetivos de formalizar a nova composição do Conselho Consultivo do PNT, nivelar a formação dos membros do Conselho Consultivo no que se refere às informações básicas, mas imprescindíveis, para o auxílio à gestão do Parque, em conformidade com o marco legal e institucional do governo federal e gerar espaço de convivência e diálogo, para consolidar o entrosamento de idéias, perspectivas e expectativas alinhadas à gestão da unidade de conservação.
Vivencia-se no presente momento a implantação do Conselho Consultivo.
3. A Campanha Elos de Axé – Natureza Viva: Definindo os parâmetros para uma Política Pública do Estado do Rio de Janeiro
A partir de 2007, a Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, dá os primeiros passos no sentido de que o uso publico religioso nas Unidades de Conservação do Estado seja considerado e respeitado, delineando assim os pontos de contorno de uma política pública. É um grande momento da Campanha Elos de Axé – Natureza Viva.
A experiência do Parque Nacional da Tijuca torna-se um referencial para a replicação nas Unidades de Conservação do Estado do Rio de Janeiro, buscando alternativas para que as manifestações religiosas sejam realizadas de forma consciente e mínimo impacto.
Num primeiro momento trabalha-se com os Parque Estadual da Pedra Branca, Parque Estadual Serra da Tiririca e a Área de Proteção Ambiental(APA) Estadual da Serra do Mendanha, consideradas junto com Parque Nacional da Tijuca, as montanhas sagradas situadas em área urbana na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Nestas montanhas há testemunhos de uso religioso e cultural devido a existência de cemitérios de nativos, quilombolas, ruínas, igrejas, templos e a toponímia (nome de rios, cascatas, caminhos) estão associados aos pretos velhos, fadas, entre outros.)
Um conjunto de recomendações foram aprovadas na plenária do dia 23 de agosto de 2007 (apresentadas a seguir) e, no momento, planejam-se estratégias para implantação em área piloto, provavelmente a do Parque Estadual da Pedra Branca.
Assim todo o esforço no sentido de tornar as práticas e cerimônias religiosas ecologicamente corretas tendo como base o diálogo com todos os segmentos envolvidos (religiosos, ambientalistas, poder público, pesquisadores, entre outros), torna-se fundamental para a construção de uma cultura de paz e respeito à natureza.
3.1 Recomendações da Campanha Elos de Axé – Natureza Viva
Apresenta-se a seguir recomendações resultantes do processo de construção da Campanha, aprovadas na Plenária de 23.08.2007, que irão nortear os próximos passos.
CAMPANHA ELOS DE AXÉ – NATUREZA VIVA
RECOMENDAÇÕES
Aprovadas Plenária de 23.08.2007, Rio de Janeiro
COMUNIDADES RELIGIOSAS DEVEM:
· Incorporar nos ensinamentos dirigido aos filhos, seguidores e freqüentadores de suas casas/terreiros / templos a importância do respeito, conservação e preservação de todos os reinos da Natureza, reconhecendo- a como um altar sagrado.
· Repensar as práticas religiosas, minimizando todos os impactos decorrentes destas ações, principalmente quando realizadas em ambientes naturais.
· Participar e/ou organizar mutirões de limpeza nas áreas em que freqüenta para realização das oferendas, obrigações e despachos.
· Incentivar ao(a) cidadão(a) religioso(a) a contribuir para a redução do lixo nas ruas, praças, florestas, rios, lagoas, cachoeiras, entre outros locais.
· Informar as suas comunidades sobre:
· A necessidade de conservação das áreas protegidas, hoje muito impactadas devido as atividades diversas (ocupações irregulares, balões, caça, turismo, etc) e
· A importância da participação de todos na defesa destas áreas, contribuindo com os saberes sagrados de suas tradições em atividades educativas e
culturais relacionadas ao tema.
O ESTADO DEVE PROMOVER:
· Campanhas de sensibilização dirigidas ao Povo do Santo das Casas/Terreiros/ Templos de Umbanda e Candomblé
· Capacitação de agentes religiosos e gestores das Unidades de Conservação Estaduais visando um melhor atendimento nestas áreas de uso público e eliminação de conflitos, através da prática do diálogo
· Programa de Educação Ambiental para comunidades religiosas
· Estudos que levem à definição de Espaços Sagrados nos planos de manejo das Unidades de Conservação com coleta regular de resíduos e gestão compartilhada com grupos religiosos
· O estabelecimento de áreas de cultivo de plantas sagradas e credenciamento de Zeladores para coleta das mesmas
· Medidas que levem à construção de aterros de resíduos religiosos, como base para o tratamento de resíduos sólidos das oferendas, obrigações e despachos decorrentes de práticas religiosas.
· Mecanismos institucionais através de parcerias com a iniciativa privada, organizações não governamentais, entre outras entidades, que possibilitem a formação de agentes religiosos guardiões da natureza, bem como patrocínio para o desenvolvimento de suas atividades.
4. A Produção do Conhecimento
Uma das contribuições do Projeto Espaço Sagrado da Curva do S diz respeito á produção de conhecimento no período 1997-2007 sobre o tema Religião e Ambiente com foco na Experiência do Parque Nacional da Tijuca, destacados a seguir.
ALVES, Denise e VIEIRA, Ana Cristina Pereira. A Floresta Sagrada, in: Lazer e Cultura na Floresta da Tijuca, de Ana Cristina Pereira Vieira, Ed. Makron Books, São Paulo, 2001
ALVES, Denise. Sensopercepção em Ações de Educação Ambiental. Série Documental: Antecipações, nº 7. MEC/ INEP. Brasília, 1995.
ALVES, Denise; GUIMARÃES, Mariza; PRAZERES, Marcelo Antonio M.; VIEIRA, Ana Cristina. Meio Ambiente e Espaços Sagrados. in: Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, anais, v.2. Unilivre. Curitiba, 1997.
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DIAS, Marisa Guimarães. Rio - nosso patrimônio cultural. In: Apostila para o Curso Condutores de Visitantes no Maciço da Tijuca. Secretaria Estadual de Trabalho, UERJ Agenda Social Rio e Parque Nacional da Tijuca. Rio de Janeiro, dezembro, 1999.
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LOUREIRO, Carlos Frederico Bernardo, Marcus Azaziel, Nayde Franca. Educação Ambiental e conselho em unidades de conservação: aspectos teóricos e metodológicos, Ibase: instituto TerrAzul, Parque Nacional da Tijuca, 2007
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