1958
- INÍCIO DOS 50 ANOS DE CASERNA – 2008
Continuidade dos 100 anos em 2058.
Quando
aos 17 anos de idade, precisamente em janeiro de 1954, me surgiu
a idéia e o desejo de sair da cidade do Salvador na Bahia
com destino a São Paulo, minha família começou
a se preocupar porque nenhum dos meus irmãos e primos,
mesmo os que tinham mais idade do que eu jamais demonstraram interesse
e coragem suficiente para tomar tal atitude pois demonstravam
ter medo de sair da dependência e segurança que o
grupo familiar sempre procurava demonstrar existir, apesar da
vida difícil que levávamos.
O fato de eu ter convivido algum tempo com meu padrinho Manoel
Barreiro, de origem espanhola, a orientação que
ele me deu foi suficiente para compreender que o meu destino estava,
intrinsecamente, ligado fora do estado da Bahia.
Claro que na minha idade eu teria que pedir autorização
ao meu pai para tomar aquela decisão. Quando lhe falei
que iria para São Paulo e lhe pedi autorização
todos ficaram surpresos. Ele então me disse: você
não está bem aqui, porque então quer ir para
São Paulo? Até hoje eu não sei porque lhe
dei a seguinte resposta, porque a mesma não tinha nada
a ver. Lhe respondi da seguinte maneira: “Meu Pai, quero
ir para São Paulo porque é meu sonho ser um Oficial
do Exército, casar com uma mineira e ganhar na loteria
federal”.
Todos ficaram surpresos com a minha resposta, menos a minha avó
Matildes que imediatamente disse: Deixa ele ir “Maneca”
porque, o pé que leva é o mesmo pé que traz”.
Isso já prevendo ou desejando que eu me desse mal no Rio
de Janeiro ou São Paulo, voltando, conforme era comum acontecer
com outras pessoas da família que assim decidiram tomar
tal decisão.
Naquela época meu Pai já estava bastante enfermo
por doenças ocasionadas pelo uso imoderado do álcool,
pois o mesmo era alcoólatra inveterado aliado ao uso do
tabagismo de forma exacerbada, já se encontrava em estado
terminal, contanto que após oito dias da minha viagem quando
cheguei na cidade do Rio de Janeiro recebi a notícia no
de seu falecimento. Era 25 de agosto de 1954, um dia após
a morte do Presidente Getúlio Vargas e Dia do Soldado.
Mera coincidência.
Em outros capítulos deste livro eu desenvolvo a minha caminhada
até o limiar do mês de janeiro do ano de 1958, quando
incorporei às fileiras do Exército Brasileiro no
dia 20.
Consta dos meus assentamentos o seguinte teor: “CERTIFICO
QUE NO PRIMEIRO GRUPO DE CANHÕES AUTOMÁTICOS ANTIAÉREOS
– QUARENTA – BATERIA DE COMANDO E SERVIÇOS
– NO ANO DE MIL NOVECENTOS E CINQUENTA E OITO – JANEIRO:-
A vinte, de acordo com o número quarenta e cinco do artigo
setenta e seis do Regulamento Interno e dos Serviços Gerais
e Plano Regional de Convocação de cinqüenta
e oito, foi incorporado nas fileiras do Exército Ativo
e incluído no estado efetivo do Grupo e desta Subunidade,
como recruta tomando o número seiscentos e sessenta e nove
o convocado Carlos Salvador da Silva, filho de Manoel Angelo da
Silva e de Carmen Assis da Silva, nascido em primeiro de janeiro
do ano de mil novecentos e trinta e sete, natural de Salvador,
Estado da Bahia, solteiro, certificado de alistamento militar
número duzentos e trinta e oito mil cento e vinte e três,
da Primeira Circunscrição do Serviço Militar”.
A partir daí começou uma jornada insólita
que acredito seriamente na orientação da Vontade
Divina considerando que eu não tinha nada planejado para
tomar uma decisão reconhecidamente de extrema responsabilidade
com idade tão precoce.
Só vim entender depois que era realmente uma missão
de caráter transcendental conforme podemos constatar no
presente depoimento que pretendo transforma-lo no livro sobre
a minha vida que já tem mais de vinte e um capítulos
e da forma como vai se desenvolvendo acredito que chegará
a uns cem, apresentado de forma coerente e interessante.
Procurem acompanhar toda essa odisséia interessante contada
de forma alegre conforme tem sido a vida desse SARGENTO SEM MALÍCIA.
Aguardem! Vem chumbo grosso por ai!
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