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SOCIEDADE
CULTURAL DO
MOVIMENTO REDENTOR 20 DE NOVEMBRO
PASSOS
DOS PALMARES
1597:
Primeiras informações escritas sobre a existência
de quilombos nos Palmares, uma região de serras e florestas
entre o São Francisco e a altura do Cabo de Santo Agostinho
(mais de 300 quilômetros), no que era então, o sul
da capitania de Pernambuco. Ao longo de um século, constituíram-se
as povoações negras de Macaco (oito mil pessoas, perto
da atual União dos Palmares – AL), Amaro (cinco mil,
perto de Serinhaém – PE), Subupira, Osenga, Zumbi (perto
de Porto Calvo – AL), Acotirene, Tabocas, Alto Magano, Curiva
(perto da atual Garanhuns – PE) e Danbrabanga.
1602:
Início das expedições contra os quilombos.
1630:
Calcula-se que vivam nos Palmares cerca de três mil pessoas.
1630-1654:
A dominação holandesa em Pernambuco transcorre, na
maior parte do tempo, sob guerrilhas dos colonos, desorganizando
a produção do açúcar e dando certa tranqüilidade
aos quilombolas. No início da invasão, grandes fugas
de escravos.
1654:
Expulsão dos holandeses com participação destacada
de índios (liderados por Felipe Camarão) e negros,
comandados por Henrique Dias, ao lado dos combatentes brancos, no
que muitos historiadores definem como o nascimento do sentimento
nativista brasileiro.
1654-1695:
Expedições contra os Palmares são praticamente
anuais. Em alguns anos, houve três ataques. Cada tropa era
um custo – em pessoal e recursos – para donos de engenhos
e povoações, levantando vivas reclamações,
o que faria surgir, ao longo do tempo, uma opinião favorável
a negociações de paz com os palmarinos. É o
período de auge da chamada República Negra, cuja população
vai calcular-se em 30 mil pessoas, por volta de 1670.
1667-1670:
Aumentam os ataques palmarinos a engenhos e povoações
do litoral. Ganga Zumba, nascido nos Palmares, é o Grande
Chefe. Possui certa idade, pois já tem neto. Sua capital
é o quilombo do Macaco, com oito mil moradores, e lá
ele tem uma espécie de corte. Os quilombos formam um estado,
co administração, justiça, religião
(já sincrética) e força armada centralizadas.
A terra é coletiva.
1672-1673:
Expedição de Antônio Jácome Bezerra.
Cita-se, pela primeira vez, o nome de Zumbi, apontado como o comandante
geral das tropas palmarinas, apesar de jovens. É sobrinho
de Gang Zumba e também nasceu nos Palmares. É casado
e tem filhos. Sua mulher seria possivelmente uma moça branca.
Zumbi dirige combates vitoriosos contra Jácome Bezerra, pois
sua espionagem no litoral conseguira os planos de ataque do invasor,
antes do início da campanha.
1676,
maio: Expedição de Manuel Lopes Galvão (que
atuava na região desde novembro de 1675) enfrenta forças
palmarinas comandadas pessoalmente por Zumbi que é ferido
com gravidade. Desde então, ficou coxo.
1676,
julho-dezembro: Ganga Zumba determina terríveis retaliações
em todo o sul pernambucano: engenhos são destruídos,
canaviais incendiados, povoações assaltadas. Por seis
meses, a região é considerada à mercê
dos palmarinos. Recife prepara o revide, mas a expedição,
por má vontade dos proprietários, demora um ano para
se pôr em marcha. Surgem as primeiras vozes a favor de uma
negociação oficial com os palmarinos.
1677:
Sai a expedição de Fernão Carrilho. Entre os
objetivos, fazer refém a mãe Ganga Zumba, em Acotirene,
para forçar uma negociação. Carrilho usa tática
nova, implantando um forte nos Palmares, de onde lança ataques
sistemáticos a todos os quilombos Gang Zumba, ferido a flechadas,
escapa com seu irmão Gana-Zona de um cerco em Subupira. Carrilho
sofre deserções e não consegue capturar a mãe
do Grande Chefe, mas obtém um triunfo maior: prende vários
de seus filhos e netos, além de alguns comandantes plamarinos
(João Gaspar, João Tapuia, Ambrósio, Ganga,
Muissa, Acaiuba). Imensas perdas palmarinas. O desastre só
não se consumou porque os colonos recusaram novas contribuições
para manter o forte de Carrilho em ação nas serras.
1678:
Carrilho volta a Porto Calvo com muitos e preciosos prisioneiros.
Solta dois, Mateus Dambi e Madalena, para que voltem e transmitam
a Ganga Zumba mensagem em favor da negociação. Do
Recife, o governador Pedro de Almeida envia um alferes negro com
a proposta ao Grande Chefe: terras, liberdade e direitos a quem
depusesse as armas.
1678,
junho: O alferes negro retorna ao Recife com embaixada palmarina
de 15 pessoas, inclusive outros três filhos de Ganga Zumba,
um deles ferido e que ficará sem tratamento. Negociações
com Pedro de Almeida, que está deixando o cargo, e com Aires
de Souza e Castro que está assumindo. A embaixada aceita
a exigência de devolver aos senhores os negros fugidos, conformando-se
com terras, liberdade e direitos (negociar livremente seus produtos
e serem considerados vassalos da Coroa) somente para os nascidos
nos Palmares. No dia 19 de junho, o acordo é solenemente
redigido e o alferes e a embaixada retornam, para colher assinatura
de Ganga Zumba.
1678,
cinco de novembro: Ganga Zumba chega ao Recife para selar o acordo,
com delegação de 40 pessoas. Tem recepção
solene. Como prova de amizade e respeito, o governador Aires de
Souza e Castro anuncia que considerará como seus dois dos
filhos de Zumba, que adotam o sobrenome Souza e Castro. Ganga Zumba
e moradores de três dos quilombos instalam-se nas terras de
Cucaú. Nos Palmares, ficam os que recusam o acordo, liderados
por Zumbi, que se torna o novo Grande Chefe.
1678-1680:
O Pacto de Recife está destinado ao fracasso. Em Cacau, Ganga
Zumba sofre a má vontade dos colonos vizinhos e hostilidades
dos palmarinos rebeldes. Ganga Zumba manda seu irmão Gana-Zona
conferenciar com o sobrinho Zumbi, tentando convencê-lo à
pacificação. Em 1680, como temia Ganga Zumba é
envenenado, em meio a uma rebelião que desarticula a experiência
da comunidade negra livre de Cucaú.
1680-81:
Palmarinos estimulam grande movimento de fugas de escravos e realizam
ataques a vilas e engenhos.
1683:
Fernão Carrilho, o mesmo da vitoriosa campanha de 1677, é
colocado à frente de uma força de 300 homens, para
ataque aos Palmares. Favorável a negociações
e já dono de uma fazenda de gado tolerada pelos negros na
região, Carrilho acaba assumindo o risco solitário
de fazer uma paz com Zumbi: seus soldados confraternizam com os
combatentes quilombolas. Ao saber, o novo governador, João
de Souza, destitui Carrilho, que acaba preso e condensado ao degredo.
No ano seguinte, João de Souza reconheceria que negociar
seria a melhor solução, mas senhores de engenho lhe
impõem a ação militar.
1685:
João da Cunha Souto Maior é o novo governador e traz
instruções (possivelmente uma carta do rei endereçada
ao “Capitão Zumbi dos Palmares”) para fazer um
acordo.
1686:
Souto Maior manda embaixada a Macaco, oferecendo negociações.
Zumbi demora a responder, impõe condições e
faz novas exigências, quando as primeiras são aceitas.
E mantém as hostilidades contra engenhos e vilas, o que isola
politicamente o governador, acusado por todos de falta de ação
contra as ousadias palmarinas. Souto Maior cede à pressão
e prepara investida. Perdoa Carrilho, que, na prisão de Olinda,
aguardava a execução da sentença de exílio,
e o nomeia comandante do ataque. Ao mesmo tempo, contata no Piauí
o paulista Domingos Jorge Velho – mameluco conhecido como
exímio caçador de índios e negros e temido
pela violência de seu pessoal – para que venha guerrear
os Palmares.
1687-1689:
Carrilho ataca. Palmarinos revidam com grandes ataques ao litoral.
1691:
Domingos Jorge Velho prepara-se para agir. Fernão Carrilho
e o bispo fazem um último esforço junto a Zumbi para
uma paz negociada, sem sucesso.
1692:
Velho penetra nos Palmares, sem obter decisão.
1694,
janeiro: O maior exército até então reunido
no Brasil (9.000 homens) invade os Palmares, sob o comando geral
de Velho. Confrontos sangrentos. Macaco, a capital, é cercada,
no que é apontado como o erro estratégico de Zumbi,
que abandonou a já secular e positiva tática da guerra
de movimento para adotar o estilo estático, de defesa de
posições, confiado nas instransponíveis muralhas
de madeira e pedras que protegiam a capital. Velho pede reforços
e artilharia.
1694,
três de fevereiro: Em marcha forçada, uma guarnição
chega de Porto Calvo com três canhões, arma nunca usada
nos Palmares.
1694,
madrugada de quatro para 5 de fevereiro: Canhões são
posicionados numa elevação que domina Macaco. Zumbi
manda executar a sentinela que não percebeu a manobra fatal.
1694,
madrugada de cinco para 6 de fevereiro: Coluna de palmarinos, sob
a chefia de Zumbi, tentar escapar de Macaco pela beira de um precipício,
possivelmente para realizar um ataque pela retaguarda dos sitiantes.
A ação é percebida pelo grupo chefiado por
Bernardo Vieira de Melo e a coluna, atacada: centenas de palmarinos
despencam no abismo. Outros 500 são mortos na luta aberta.
Zumbi escapa.
1694,
manhã de seis de fevereiro: Os canhões entram em ação
e arrasam as defesas de Macaco. Tropas invadem a cidadela e o massacre
se estende por todo o dia. Somente 510 são poupados. Destruída
a capital, os dias seguintes são dedicados à eliminação
dos outros quilombos próximos. O grosso da tropa deixa os
Palmares, onde ficam apenas Domingos Jorge Velho e seu pessoal,
com a missão de completar a desarticulação
palmarina. A vitória é considerada tão importante
quanto à de 1654 contra os holandeses.
1694,
dezembro: Novos ataques negros no sul de Pernambuco, Domingos Jorge
Velho calcula que fugitivos dos Palmares sejam dois mil, agindo
em pequenos grupos. Aumentam notícias sobre Zumbi, que muitos
consideravam morto na batalha do despenhadeiro.
1695:
Em meados do ano, Zumbi é visto, muito abatido, num ataque
à vila de Penedo, perto de São Francisco, onde procurava
armas e munição.
1695, novembro: Moradores de Penedo capturam Antônio Soares,
que liderava um grupo de ataque na região. Um dos comandantes
das tropas de Velho, André Furtado de Mendonça apossa-se
do prisioneiro, quando ele estava sendo conduzido ao Recife. Submete-se
a torturas, para que indique o refúgio de Zumbi, sem sucesso.
Muda de tática e garante-lhe a liberdade, obtendo então
a informação.
1695
20 de novembro: Antônio Soares chega ao acampamento de Zumbi,
na serra Dois Irmãos, e é recebido amistosamente pelo
líder. Aproxima-se e o esfaqueia. Os paulistas avançam
e massacram a pequena guarda pessoal. Zumbi é degolado e
a cabeça levada para o Recife, onde fica pendurada num poste
até consumir-se.
1697-1704:
Restos palmarinos esparsos seguem, possivelmente, um líder
chamado Camoanga, presumivelmente morto num combate em 1704, em
Serra Negra, quando uma coluna de 60 negros foi dizimada.
1707: Criadas três guarnições fixas para melhor
combater os restos de rebeldia no sul pernambucano: Arraiais de
Nossa Senhora das Brotas, São João Caetano de Jacuípe
e Cucaú.
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